4 POR 4

“Amanhece.
Amanhece mais um dia.
Mais uma vez, com a saúde perfeita e o cabelo emaranhado, abro a janela e contemplo o horizonte diante de mim.
Como é lindo tudo que é refletido nos olhos! E como os fragmentos daquilo ficarão impressos nas folhas da memória, em sintonia com muitos batimentos cardíacos.
Esse meu coração que bate no ritmo de cada momento. Bate em 3 por 4, envolvido por uma valsa de Strauss; em 2 por 4, gingando na magia de um samba, ou numa bossa nova com aroma de mar; em 6 por 8, quando um blues entra na veia e pede pra cantar ou ‘descer um trago’ de uísque.
Mas ele também bate em 4 por 4. Da mesma forma como a conheci, e me recordo dela nesse instante, assim como todo dia. O 4 por 4 pode até ser costumeiro, simples… Mas é o mais poderoso e transparente. Dá pra sentir verdadeiramente cada emoção sem sair do ritmo. Ao ver aquela maravilhosa figura de olhar intenso e sorriso brilhante, meu coração quase descompassou.
Estava rendido aos seus encantos. Estava perdido num labirinto que nem havia chegado a entrar ainda. Estava de joelhos para aquele ser e ao que era permitido viver.
Foi em 4 por 4 que meu coração bateu com ela. Que podemos juntos navegar, num mar de amor, volúpia e poesia. Que desbravamos noites inteiras pelo prazer de termos um ao outro, e pelo infinito bem que ambos sentíamos. Foi nesse 4 por 4 que cada segundo testemunhado em palavras, gestos, sorrisos, beijos, Sóis e Luas, fora eternizado em mim.
Uma linha do tempo que, num belo dia, parou e deixou como herança um coração repleto de emoções e razões, que segue vibrando pelo seu nome.
Nesses pensamentos e com o olhar perdido nessa manhã, é irrelevante mencionar o que ela me proporcionou. Mas, sim, o que ela representa em mim. Seja lá como (e o que) for, é a água da minha fonte; a melodia de meu canto; a rima do meu poema, a luz dos meus olhos… A incondicionalidade do meu amor.
Como é maravilhoso tudo que é refletido no coração! E tudo que é simples, possui um sabor mais marcante e jamais perece com o tempo.
Como as auroras e os crepúsculos. Os luares e as tempestades.
Como esse amanhecer diante de mim.
Como essa lembrança vital de você e eu.”


(Mael Júlia)

Imagem: ad-mensagensdeamor.blogspot.com.br

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LEMBRANDO DE VOCÊ

“Nessa tarde nebulosa, o som de Vivaldi me acalanta. E quando caem os primeiros pingos de chuva, tudo parece ter um significado. Ainda mais agora, onde uma ponta de saudade atravessa o peito, me fazendo querer chorar… mas, não posso.

Lembranças me invadem implacavelmente e deixando no ar a dúvida se tudo isso é um sonho ou se realmente acordei. Ambas se mesclam em tudo que vejo, sinto e provo. Quanto mais aumenta isso, mais intenso fica.

Lembro de uma canção que dominava um ambiente, me remete àquele lugar, junto de ti. Onde você sorria, e eu também. Onde o brilho de seus olhos traduziam uma felicidade, e os meus também.

Lembro de palavras que nos traziam para bem perto, e quase podia te ver diante de mim. Cada frase que dizias, era o afago exato e a faísca certeira de um desejo.

Lembro do teu cheiro, do teu abraço e do teu gosto. Do teu riso livre, tua ironia precisa e do teu querer. Tudo isso ficou em meu paladar, meu olfato e minha memória.

Lembro de uma janela, e lá fora a noite, e um Luar que nos guiava. Controlava a energia que nos fazia bailar de olhos fechados, imersos em beijos intensos.

Lembro de tudo isso, e só desejaria que não estivesse trancado em minha mente. Que fosse algo que se encaixasse perfeitamente no hoje. Que você estivesse aqui, comigo no meio desse temporal, nos molhando e achando graça de tudo.

Fico com a companhia da incerteza de que cruzes meu caminho outra vez. E com o Sol de cada dia, anunciando uma esperança de que tudo é possível. Talvez não aconteça novamente. Ou outra coisa seja mais extraordinária. Seja como for, até lá, estarei com um sorriso no rosto, um coração de porta entreaberta e uma luz acesa, sempre lembrando de você.”

(Mael Júlia)

Imagem: radio9digital.net

D’ELA

“Onde houver um aroma inebriante de café, sei que ela estará por perto. E até posso vê-la suspirando prazerosamente após cada gole, e com um olhar no infinito como se estivesse imaginando – ou desejando – algo que reforçasse ainda mais o seu sorriso.
Aliás, um lindo sorriso que é só Dela.

Sempre que tiver um nascer do Sol, estarei certo de que são os olhos dela que acabaram de abrir. Mesmo que caia aquela chuva, ela saberá como capturar aquele momento em imagens e sons. Como combustível em um automóvel, tudo isso serve de força para impulsioná-la para os lugares que ela quiser. Até mesmo na imensidão de si mesma.
Por dentro, ela cultiva um vasto vale de variadas flores e cores que só ela sabe como cuidar. Um zelo raro que é só Dela.

Quando a poesia de Neruda, de Vinícius ou de Magiezi chegar aos meus olhos e ouvidos, na certa imaginaram uma musa, assim como ela, linda e inspiradora. Pois a cada traço, revela-se um verso mágico e belo. Ela exala poesia até num ‘bom dia’. Estrofes certeiras lhe servem de vestimentas para contemplar uma linda tarde de Junho.
Talvez ela não saiba, mas está escrevendo a cada dia, capítulos de histórias e prosas poéticas de sua própria vida. Com uma caligrafia só Dela.

Numa película de Crowe ou Zemeckis pode haver aquela mulher icônica que nos cativa – seja protagonista ou coadjuvante – mas nenhuma se compara à ela. Todos queriam na tela, o jeito que ela tem de andar, a fala tímida, o gorro charmoso e tudo mais que a complementa. Além da inteligência e coerência que possui em comentar sobre essas obras que tocam o seu coração, a ponto de derramar lágrimas.
Seja qual for o gênero do filme de sua vida, o roteiro é escrito do jeito Dela.

De demodê, ela não tem nada. Ela ama a noite, e o encanto noturno habita a Íris de seus olhos. Ela ama a música, e cada canção a faz bailar sozinha em seu quarto ou em pensamentos. Uma paixão em azul, branco e preto mora em seu peito, para o que der-e-vier. Ela é amor e afeto da cabeça aos pés, para todos que moram em seu coração. Assim como ela mora no meu.
Talvez, um dia, a encontre numa peculiar tarde de sábado e lhe abrace a retribuir o carinho e abrigo que suas palavras me proporcionaram. E que em meu olhar possa reconhecer a gratidão e felicidade em estar diante daquela luz humana.
Sei que aquele brilho no olhar, o sorriso e o que há de mais belo, jamais a deixará.
Pois ela nasceu com tudo isso, e permanecerá para sempre do jeito Dela.”

(Mael Júlia)

Imagem: Suburbana

*Dedicado à querida e iluminada amiga, Dani Rodrigues, do blog “D Demodê”

HÁ EM TEU SER

“Há em teu ser
Uma serenidade
Uma doçura
Uma verdade
Transbordando
No olhar
Nos atos
No falar

Há em teu ser
Um sentimento
Um mistério
Um pensamento
Constantemente
Provocador
Convidativo
Contestador

Há em teu ser
Uma questão
Uma pendência
Uma interrogação
Insistentemente
Pontual
Imediata
Total

Há em teu ser
Uma necessidade
Uma urgência
Uma sensibilidade
Encantadoramente
Humana
Que o teu nome
emana.”

(Mael Júlia)

Imagem: vem-me-fazer-feliz.blogspot.com

AH, MORENA… – 4

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“Tens a figura mais notável do meu sonho.
E o olhar que serve de estrada para minha alegria.
Tens o feitiço louco em teu beijo sublime.
E a religiosidade precisa que tua voz me propicia.
Tens a chave da provocação certeira
E o mistério que me convida a desvendar.
Tens a química exata para minha intenção
E a essência rara que me fez apaixonar.
Ah, morena…
Esse amor é como o imenso mar,
e eu sou um navio para você navegar.
Basta apenas um querer.
Basta você vir.
Apenas me veja,
e queira, seus braços, abrir.
Me chamando, me permitindo.
Me aceitando.
E eu te recebendo, te envolvendo.
Te amando.”

(Mael Júlia)

AH, MORENA… – 3

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“Sou caneta. E tu serás as palavras.
Sou prateleira. E tu, violeta.
Sou letra. Tu, um amor de canção.
Meu caminho no seu: uma canção de amor.
Serei a lente em seus olhos.
O molhado do seu beijo.
O motivo do teu sorriso
O calor do teu desejo.
Ah, morena…
Não vês que és o mel que adoça o coração desse pobre mortal?
Não está claro o quanto de bem-querer transborda em cada gesto desse ingênuo poeta?
É evidente que não peço muito ao universo.
Apenas você.
Para que com tudo isso que acabo de descrever, possamos ser lirismo no amor, e viver tudo que é feito de pura poesia.”

(Mael Júlia)